4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental

Artigo de 22.03.2015
por Cláudia Mogadouro

Ao meio do rio, entre as árvores

Há dois anos, nosso grupo discutiu a animação de Luiz Bolognesi Uma História de Amor e Fúria, dividido em quatro episódios. Três falam de histórias de lutas passadas, sempre do ponto de vista dos vencidos. O último episódio do filme situa o Brasil em 2096, quando se vive uma terrível crise de água potável e o país é dirigido por um pastor evangélico corrupto... Seria tão futurista assim? Interessante como o cinema pode trazer a discussão sobre o meio-ambiente de forma tão intensa e, por que não?, premonitória. Por se tratar do futuro do planeta-nossa-casa, a arte, incluindo o cinema, tem desempenhado importante papel nessa discussão, como a Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, que está em sua quarta edição em São Paulo, de 19 a 29 de março. Na abertura, foi exibido o premiado documentário, de Wim Wenders e Juliano Salgado, O Sal da Terra, sobre o fotógrafo Sebastião Salgado (que está entrando nesta semana em circuito comercial). Os filmes da Mostra estão divididos pelas seguintes temáticas: "biodiversidade"; "cidades"; "consumo"; "energia", "recursos naturais" e "povos e lugares". Os filmes abordam questões como matriz energética e esgotamento de recursos naturais; organismos geneticamente modificados; urbanismo e a vida nas grandes cidades; extração de recursos naturais por grandes corporações e suas consequências para o meio ambiente e para comunidades, entre outros sub-temas.

A mostra deste ano traz também uma importante homenagem ao cineasta Jorge Bodanzky,apresentando títulos significativos de sua obra como Iracema - Uma Transa Amazônica (1974, co-direção Orlando Senna), os documentários Jari (1980) e O Terceiro Milênio (1982), além de alguns de seus trabalhos mais recentes, como A Propósito de Tristes Trópicos (1990), Pandemonium (2010) e No Meio do Rio, Entre as Árvores (2010). Complementa a programação o episódio da série Retratos Brasileiros (Canal Brasil) sobre a carreira de Jorge Bodanzky, dirigido por Evaldo Mocarzel.

A mostra traz um panorama histórico com o tema "rios", exibindo filmes brasileiros como A Margem (Ozualdo Candeias, 1967), Amazonas, Amazonas (Glauber Rocha, 1966), No Paiz das Amazonas (SIlvino Santos e Agesilau de Araújo, 1922) e estrangeiros como Rio Violento (Elia Kazan, 1960, EUA) e Um Dia, o Nilo (Youssef Chahine, 1968, URSS/Egito). Há, ainda, uma competição latino-americana e uma discussão especial sobre a crise da água.

As sessões são gratuitas e acontecem em várias salas de cinemas de São Paulo, entre elas o Caixa Belas Artes, o Reserva Cultural, o Cine Olido, a Cinemateca e o Centro Cultural São Paulo. A Mostra terá ainda debates sobre os filmes exibidos e sessões em universidades e escolas. No site da 4ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, além da programação e traillers dos filmes, é possível ver os vídeos dos debates ou ler suas transcrições. O link do site é: http://www.ecofalante.org.br/mostra.
Ainda é possível aproveitar, vai até o dia 29!

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