FLORES RARAS E BANALÍSSIMAS, o livro FLORES RARAS, o filme

28.07.2016
por Ana Rosa Mont’Alvão Freire


Diferentemente do usual, vi primeiro o filme e depois li o livro. Confesso minha dúvida em decidir qual me agrada mais. 

A vida colocou no mesmo cenário duas criaturas muito distintas uma da outra, uma poetisa americana hipersensível e cheia de marcas profundas, mais propensa à observação, e uma brasileira corajosa e sem freio para mostrar seu lado desabusado, isso aliado à tenacidade para realizações. Elizabeth Bishop e Lota de Macedo Soares chamaram a atenção de Carmen L. Oliveira, autora do livro publicado em 1995. 

Tendo como pano de fundo o Rio de Janeiro das décadas de 1950 e 60, o livro conta a história dessa relação que pouco se desvendava na época. A autora se baseou em uma série de relatos orais e de tantos outros documentados em jornais, bibliotecas brasileiras e norte-americanas e ainda em acervos pessoais. Adicionou um tanto de ficção e usou uma linguagem relativamente simples, sem deixar de lado o resgate de palavras e expressões usadas na época (adorei o “fricote” de uma secretária no dizer de Lota). Fez assim um retrato fácil, informativo e curioso não somente das duas personalidades, mas ainda da sociedade da época, incluindo a arena política representada sobretudo pela amizade que unia Lota e o então governador do Rio, Carlos Lacerda. 

O filme, dirigido por Bruno Barreto e lançado em 2013, foi criticado, elogiado e premiado, tendo Glória Pires no papel de Lota e a atriz australiana Miranda Otto no papel de Bishop. Tanto a atuação das duas protagonistas quanto o filme como um todo, seja a reconstituição de época, fotografia ou trilha sonora, são merecedores de destaque. Glória Pires personificou com propriedade a inquieta Lota conforme descrita no livro, deixando ver o empenho que colocou para que o Aterro do Flamengo se transformasse no que passou a ser. 

Embora o desfecho da história não seja o de um conto de fadas, para o desgosto dos mais românticos, o que fica mais uma vez é a demonstração de a realidade poder se transformar em obra de arte.

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