Livre, o livro e o filme

01.07.2016
por Ana Rosa Mont'Alvão Freire

“Livre” não seria uma escolha natural para mim. Ainda assim, resolvi experimentar. Fico um tanto receosa quando leio a sinopse de um filme sobre uma história de superação: os roteiros sempre me pareceram escritos de acordo com uma lista de itens que acaba no mesmo lugar, pleno de firulas. Mas afinal, se o tema é superação, a crise é a origem e a salvação o destino. A importância maior fica com a construção da trama, para ser sucinta. Assim, vi o filme e depois li o livro.


Em sua autobiografia – um bestseller -, publicada em 2012 nos Estados Unidos, Cheryl Strayed conta em detalhes como seu despreparo para a sequência de fatos impactantes em sua vida levou-a a sentir-se completamente perdida: até os seis anos de idade, testemunha da violência paterna, aos 22, da morte rápida e inesperada da mãe de 45 anos, depois, a frustração de falhar em refazer a união familiar, a vida promíscua, as drogas. Até que um guia para a trilha conhecida como PCT-Pacific Crest Trail, chamou sua atenção. 

Mais uma vez, totalmente despreparada, Cheryl se lança sozinha – aos 26 anos - na aventura de caminhar por essa trilha que se estende da fronteira com o México para além do limite com o Canadá, cortando os estados da Califórnia, Oregon e Washington. Cheryl narra com sinceridade e um certo humor, o que na ocasião foi um drama para se livrar de tantos outros. Palavras dela no livro: “nada pior poderia acontecer comigo do que a morte de minha mãe”. No entanto, o vai e vem de pensamentos, frente às dificuldades que encontra, faz com que Cheryl se questione se essa escolha não teria sido um tanto estúpida.


O filme, de 2014, dirigido por Jean-Marc Vallée, foi roteirizado pelo já bem conhecido Nick Hornby. Em entrevista ao jornal “The Telegraph”, Hornby falou sobre a magia de adaptar o livro para a tela e enfatizou a afinidade com a autora quanto à falta de conhecimento sobre o “selvagem” de uma investida como a descrita nas memórias de Cheryl Strayed. 

Em produção norte-americana, o filme, estrelado por Reese Witherspoon, teve a ajuda da própria personagem real para ser realizado e começa exatamente como o livro, quando a protagonista vê um pé de suas botas - apertadas demais, diga-se - rolar montanha abaixo. 

Gostei de experimentar.

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