BAFICI - FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA INDEPENDENTE DE BUENOS AIRES

08.05.2017
por João Moris

Cinema independente?

Como se vê, o ecletismo parece ser a marca registrada do BAFICI, mas cabe aqui uma reflexão sobre o que se convencionou chamar cinema independente e seu significado hoje.

O conceito clássico de cinema independente (também conhecido como indie, alternativo, underground ou autoral) se aplica aos filmes feitos e distribuídos à margem dos esquemas comerciais da indústria cinematográfica. Geralmente, esses filmes são a expressão artística pessoal de um realizador, que tem a liberdade para criar e definir a forma narrativa da sua obra, as técnicas (movimentos de câmera, enquadramentos etc) e o conteúdo da trama fora dos padrões da indústria do entretenimento e, supostamente, sem a pressão ou interferência do produtor ou de um grande estúdio. Tratam-se em geral de filmes de baixo orçamento, com distribuição limitada a poucas salas de cinema. Também pressupõem um ato de rebeldia dos realizadores contra o esquema comercial dos grandes estúdios, filmes transgressores com visão crítica da sociedade, temas abordados de forma irreverente e ousada, diretores com estilo corajoso e radical e assim por diante. Mas, há muitas exceções para esta definição e a linha entre o que é cinema comercial e independente está cada vez mais tênue e difusa. 

Se observarmos como a industrial cultural vem tratando e comercializando seus “produtos”, no caso do cinema, o espectador se torna um mero consumidor e o cinema é visto tão somente como entretenimento, sem falar na tendência das franquias repetitivas dos filmes blockbusters, a ação em detrimento da reflexão, a ausência de conteúdo crítico etc. Assim sendo, parece haver uma desconexão permanente entre a lógica da indústria (o cinema como produto pronto para o consumo e o lucro) e o conceito de cinema independente descrito acima.

Esta dicotomia existe desde os primórdios do cinema e esta questão se torna premente num festival como o BAFICI, que se propõe independente, mas que traz vários filmes com um viés visivelmente comercial. Certos filmes que assisti no BAFICI não apresentaram nada de ousado, tanto do ponto de vista estético quanto do temático e do narrativo. Dito isto, houve filmes inusitados e muito interessantes (ver os próximos links) e é evidente o esforço da curadoria em trazer filmes verdadeiramente independentes ao Festival.

Cena do filme “Rapado” (1992) de Martin Rejtman, que deu início ao movimento Nuevo Cine Argentino Independiente

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