Os Cowboys: preconceitos latentes e à flor da pele.

02.05.2017
por Marcos Paulino

Filme francês de estreia do diretor Thomas Bidegain. De 2015.

Eis aí um filme sério, tema muito sério e atual, de certa forma, na linha dos irmãos Dardenne: temática social; filme pouco ou nada comercial; focado em poucos personagens; uma busca intensa por algo ou alguém. 
O tema diz respeito aos europeus, mas também à humanidade. As imagens falam alto e mostram, quase silenciosamente, como nascem os preconceitos, como a religião e a cultura molda as pessoas. Mostra também como se desfazem preconceitos!

O filme trata de um pai que dá conta do sumiço da filha de 16 anos, no transcorrer de uma festa country na França. Logo, o pai vem a descobrir que sua a filha estava namorando um muçulmano. Sem notícias da filha, o pai, juntamente com seu filho, inicia uma busca desesperada pelo seu paradeiro. 

Na Europa, não é difícil acontecer algum tipo de relacionamento com muçulmanos, com seguidores do Islã. E disso decorrem relações complexas entre os envolvidos e seus próximos (bem mais do que faz supor o processo de miscigenação de povos e de etnias correntes no Brasil, por exemplo), que acabam sendo exploradas pelo cinema. E isso rende boas histórias para a tela grande! 

O diretor caprichou no trabalho de câmera e de enquadramentos. Pelo menos uma das cenas lembrou o trabalho de Bergman (quando, com efeito de iluminação, é mostrado apenas o lado do rosto de Kid, irmão da Kelly, a moça desaparecida - supostamente raptada).

Gostei do filme e aviso: não é um filme comercial! É um filme que, sobretudo, leva a uma reflexão profunda sobre a humanidade de hoje, sobre o mundo de hoje, processo esse que, talvez, vá muito além do que o filme nos traz. De fato, o trabalho tem enredo simples, mas que propicia ao espectador um olhar que vai longe, muito longe, no processo de alteridade que experimenta (mesmo que isso aconteça de modo quase despercebido!). Permite, também, a vazão de preconceitos! As pessoas podem se revelar com esse filme! 

Boa parte da crítica também gostou do filme, classificando-o como western contemporâneo, drama familiar, obra minimalista, espécie de roadmovie... Dispensa rótulos! O filme mostra que já os temos demais!

Enfim, belo filme!

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