NOVAS DICAS DO HIRAO PARA A 42ª MOSTRA

24.10.2018

Dois filmes que têm a maconha como “ingrediente”.

Tragam a Maconha
Misión no Oficial
Uruguai, 2017, 75’
Direção / Roteiro: Denny Brechner, Alfonso Guerrero e Marcos Hecht
De acordo com o filme, o Uruguai, durante o governo do presidente José “Pepe” Mujica, foi o primeiro país a descriminalizar o consumo e a produção da maconha, que ficaria a cargo do próprio governo. Soldados do exército cultivariam a erva. Ok, todo mundo festeja a decisão, artistas do mundo congratulam etc. e tal. O tempo passa e onde está a maconha legalizada? O governo não consegue produzir o suficiente para suprir a demanda. Então, o farmacêutico Alfredo Rodriguez e sua mãe são designados para ir aos Estados Unidos para adquirir algumas toneladas da erva. Já dá para imaginar as confusões que eles arrumam no país estrangeiro. 
É um filme divertido com muito humor e situações absurdas. Filmado em forma de documentário, com câmera na mão, seguindo os representantes uruguaios. Alguns dos momentos mais engraçados acontecem quando Alfredo interage com a população nas ruas, perguntando onde pode comprar marijuana. Até ficamos em dúvida se as cenas são reais e improvisadas ou se foram encenadas. Porém, quem roubas as cenas é o próprio ex-presidente Mujica interpretando a si próprio. Sim, é ele mesmo, não se trata de um sósia! O Grupo Cinema Paradiso discutiu recentemente o filme Uma Noite de 12 Anos, que trata justamente do período em que Mujica esteve preso e é admirável como aquele homem que sofreu tanto pode ser tão bem-humorado hoje. 

Exibições previstas:
Cinemateca – Sala BNDES, dia 18/10/18 (quinta), às 21h00
Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 4, dia 19/10/18 (sexta), às 16h00
MIS – Museu da Imagem e do Som, dia 20/10/18 (sábado), às 15h00
Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 5, dia 21/10/18 (domingo), às 13h30
Espaço Itaú de Cinema – Augusta Anexo 4, dia 29/10/18 (segunda), às 19h50


O Ingrediente Secreto
Iscelitel / Tajnata Sostojka
Direção / Roteiro: Gjorce Stavreski
Macedônia / Grécia, 2017, 104’
Vele é um mecânico que trabalha na manutenção de trens. Seu pai, Sazdo, sofre de câncer e tem pouco tempo de vida. A verdade é que Sazdo perdeu a vontade de viver. Certo dia, Vele encontra um pacote de drogas escondido em um vagão. Sabendo que a maconha pode diminuir a dor de seu pai, Vele prepara um bolo, sem revelar o ingrediente secreto. A receita é um sucesso e o câncer de Sazdo retrocede. O pai recupera a saúde como um milagre. Enquanto isso, os verdadeiros donos da droga procuram quem pegou a sua mercadoria.
Em tom um pouco mais sério que o filme uruguaio, o filme levanta a questão do uso medicinal da maconha, sem levantar bandeiras. Também há certa crítica social, quando as pessoas preferem acreditar em qualquer cura milagrosa de algum curandeiro charlatão, do que no sistema de saúde público. É o filme pré-indicado ao Oscar pela Macedônia.

Exibições previstas:
Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 1, dia 18/10/18 (quinta), às 21h40
Playarte Marabá 1, dia 19/10/18 (sexta), às 16h20
Instituto CPFL – Sala Umuarama, dia 21/10/18 (domingo), às 19h00
Cinesala, dia 23/10/18 (terça), às 17h40
Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 2, dia 29/10/18 (segunda), às 19h50


Culpa
Den Skyldige
Dinamarca, 2018, 90’
Direção: Gustav Möller
Asger Holm é um policial que atende chamadas de emergência, é ele quem deve avaliar a gravidade da ocorrência e decidir qual o procedimento tomar. É primordial que ele mantenha a calma e procure acalmar a pessoa do outro lado da linha. Mas ele está ali como medida disciplinar, isto é, vamos descobrir que Asger é um policial de rua, que atua diretamente com o crime, mas fez alguma besteira e está de castigo. Quase no final do seu turno, ele atende a ligação de uma mulher sequestrada, mas não consegue obter muitas informações. Começa uma corrida contra o tempo. Armado apenas com um telefone e um computador, Asger precisa encontrar a vítima e seu sequestrador.
Primeiro longa de Gustav Möller, é um filme tenso, claustrofóbico, já que se passa em um único cenário. O ator Jakob Cedergren está o tempo todo em cena, quase um one-man-movie, um filme de um ator só, se não fosse por algumas poucas cenas mostrando a delegacia e outros colegas. Representante da Dinamarca ao Oscar, é um forte candidato. Posso até imaginar, em 2 ou 3 anos, uma versão americana do filme.
Será distribuído no Brasil pela California e deve estrear em breve no circuito comercial.

Exibições previstas:
Espaço Itaú de Cinema – Pompeia 1, dia 18/10/18 (quinta), às 21h00
Cine Caixa Belas Artes 1 – Villa Lobos, dia 19/10/18 (sexta), às 17h20
Playarte Marabá 1, dia 20/10/18 (sábado), às 15h00
Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 1, dia 21/10/18 (domingo), às 21h50
Cinearte Petrobrás 1, dia 29/10/18 (segunda), às 17h30


El Creador de Universos
Direção / Roteiro: Mercedes Dominioni
Uruguai, 2017, 79’
A princípio, eu não ia falar sobre esse filme, porque não gostei dele. No entanto, depois de conversar com um amigo psicólogo, percebi que há algumas qualidades que merecem ser destacadas. O documentário mostra o adolescente Juan, que adora fazer filmes com sua avó Rosa, de 96 anos. Logo de cara, não simpatizei com o garoto. Para quem gosta de filmes, parece que ele não entende nada de filmagens. Ele não escreve um roteiro, apenas anotações no papel; os diálogos são improvisados; não faz cenas externas, filma tudo na sala do apartamento da avó; capta imagem e som no celular, sem se preocupar com iluminação ou isolar o som; Juan não cita um diretor, um ator ou uma atriz, ou mesmo um filme ou uma cena de que ele goste; também não mostra Juan assistindo a algum filme, mesmo que seja no computador.
Agora, há um detalhe que o filme omite, mas está na sinopse: Juan foi diagnosticado com Síndrome de Asperger. O que é essa síndrome? Quais os sintomas? Como é o tratamento? Nada é explicado. Se o espectador não leu a sinopse, fica com a impressão de que Juan tem um comportamento mimado, afetado, até mesmo infantil para sua idade. A simples menção da doença poderia despertar empatia do público com Juan. Meu amigo psicólogo argumentou que, no caso de Juan, fazer o filme é uma forma de terapia, é como ele interage com o mundo externo, é assim que ele consegue se socializar, com sua avó e com sua família.

Exibições previstas:
Circuito Spcine Olido, dia 18/10/18 (quinta), às 19h00
Circuito Spcine CCSP Paulo Emilio, dia 21/10/18 (domingo), às 15h00
Cinusp na ECA – USP, dia 24/10/18 (quarta), às 19h00
Playarte Marabá 4, dia 28/10/18 (domingo), às 13h00


Poderia Me Perdoar?
Can You Ever Forgive Me?
EUA, 2018, 107’
Direção: Marielle Heller
Os livros que Lee Israel escreveu fizeram muito sucesso nas décadas de 1970 e 1980, entre eles, biografias de pessoas famosas como Katharine Hepburn e Tallulah Bankhead. Agora, ninguém mais se interessa por biografias. Novos projetos são recusados. Lee se tornou uma mulher amarga, revoltada, alcoólatra, seu comportamento afastou seus amigos, editores e agentes que poderiam ajudá-la. Seu único amigo é Jack Hock, que também está no fundo do poço. Por acaso, fazendo uma pesquisa na biblioteca, Lee tem a ideia de falsificar cartas e bilhetes de celebridades para vender a colecionadores.
Ironicamente, o filme é baseado na autobiografia Can You Ever Forgive Me?, em que Lee confessa seus crimes. Provavelmente, os membros do grupo Cinema Paradiso não conhecem a atriz Melissa McCarthy, que interpreta Lee, nunca a viram nem se interessaram por nenhuma de suas comédias totalmente dispensáveis como Missão Madrinha de Casamento (2011), Uma Ladra sem Limites (2013) e Crimes em Happytime (2018), mistura de atores com marionetes, recentemente em cartaz. Eu gosto muito quando um ator ou atriz que começou sua carreira em comédias consegue mudar radicalmente de gênero e encarar um drama. É um enorme desafio se livrar do rótulo de “ator de comédias”. É o caso, por exemplo de Jim Carrey, que ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator em Drama por O Show de Truman (1998), ou Steve Carrell, indicado ao Oscar pelo drama Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (2014). Agora, chegou a vez da gordinha Melissa mostrar seu talento dramático. E ela está muito bem, assume sua obesidade, sua pouca altura, mostra suas rugas e encarna uma personagem difícil com muita coragem. O filme será distribuído pela Fox nos cinemas.

Exibições previstas:
Espaço Itaú de Cinema – Augusta Sala 1, dia 23/10/18 (terça), às 21h30
Cinearte Petrobrás 1, dia 26/10/18 (sexta), às 15h45
Espaço Itaú de Cinema – Pompeia 1, dia 30/10/18 (terça), às 21h00


Inezita
Direção: Helio Goldsztejn
Brasil, 2018, 85’
Quem nunca assistiu ao programa Viola, Minha Viola na TV Cultura? Nem que seja uma música, um trechinho, alguém contando um “causo”? Quem não se lembra de sua apresentadora mais famosa, Inezita Barroso? Para o público que só conhece Inezita desse longevo programa de TV será uma surpresa assistir ao documentário Inezita. Desde pequena, na década de 1930, ela sempre teve opiniões fortes, fazia o que queria, desafiava convenções, lutava por espaço num universo dominado por homens. Além de cantora e apresentadora de rádio e televisão, tendo comandado o programa Viola, Minha Viola por 35 anos, Inezita foi instrumentista, atriz (participou de 7 filmes), bibliotecária, pesquisadora e professora universitária. Ufa!
Com esse filme, o diretor Helio Goldsztejn conclui uma trilogia sobre mulheres à frente do seu tempo, composta por Tomie Ohtake (2015) e Lygia, uma Escritora Brasileira (2017). Todos com produção da TV Cultura. O documentário é interessante e bastante informativo, mas, como aproximadamente 70% das imagens são de arquivos de televisão, ficam com a qualidade comprometida na tela grande do cinema. Sinal de que, apesar de gostarmos muito de música, o país deveria preservar melhor sua memória iconográfica.

Exibições previstas:
Instituto Moreira Salles, dia 18/10/18 (quinta), às 21h50
Cinearte Petrobrás 2, dia 19/10/18 (sexta), às 17h45
Playarte Marabá 4, dia 27/10/18 (sábado), às 16h50


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