FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE EDIMBURGO, O MAIS LONGEVO DO MUNDO

01.07.2019
Por João Moris, de Edimburgo

Bem-vindos ao Festival Internacional de Cinema de Edimburgo, na encantadora capital da Escócia! Trata-se do festival de cinema mais longevo do mundo, que acontece ininterruptamente desde 1947 (o Festival de Veneza é o mais antigo, mas houve várias interrupções no período da 2ª Guerra). 

A 73ª edição do Festival Internacional de Cinema de Edimburgo aconteceu entre os dias 19 e 30 de junho, e trouxe um panorama do cinema contemporâneo mundial. A América Latina esteve subrepresentada no festival deste ano e, lamentavelmente, não houve nenhum filme brasileiro na programação. Entre os latinos, apenas um filme do Equador e da Argentina, além da mostra Focus on Spain, que trouxe vários filmes espanhóis produzidos nos últimos anos. 

Chama a atenção no programa do Festival de Edimburgo o número de filmes feitos e protagonizados por mulheres e de temática feminina, o que é altamente positivo, mas filmes sobre as grandes questões políticas e identitárias atuais parecem ter ficado de fora da programação. E apenas alguns filmes abordaram relações étnicas e raciais. 

Como é praxe em grandes festivais internacionais, os curadores buscam cada vez mais atrair uma gama variada de público, mesclando produções comerciais a filmes não convencionais. Essa mistura esteve bastante presente no Festival de Edimburgo e vi alguns filmes bem criativos, outros de apelo muito comercial e fórmulas repetidas. 

Perspectiva internacional

A mostra de filmes internacionais, que não europeus ou dos Estados Unidos, é a minha seção predileta em festivais, pois traz filmes de várias nacionalidades que geralmente são difíceis de ver no cinema. No Festival de Edimburgo, esta mostra chama-se World Perspectives.

O filme equatoriano, coproduzido com o México, La Mala Noche (de Gabriela Calvache), foi um honroso representante da América Latina no festival. Conta a história de uma prostituta de luxo de 40 anos, que resolve se libertar do chefe da máfia que a explora e se envolve emocionalmente com um médico de Quito. Viciada em antidepressivos injetáveis e com um filho pequeno para criar, ela entra em uma espiral autodestrutiva para sobreviver. Um filme impressionante sobre escravidão sexual e cárcere privado, que, segundo dados exibidos no filme, aflige 21 milhões de pessoas no mundo atualmente.

Cena do filme equatoriano La Mala Noche  

Igualmente impactante é o filme irlandês A Girl from Mogadishu (de Mary McGuckian) sobre a incrível trajetória da ativista somali Ifrah Ahmed, uma camponesa analfabeta que aos 16 anos foge da guerra em seu país e vai parar na Irlanda como refugiada. Ali, ela entra em contato com o trauma da mutilação genital que sofreu quando pequena. Após tornar-se cidadã irlandesa, Ifrah funda uma ONG e se torna ativista contra a mutilação genital feminina. Além de mostrar a arriscadíssima jornada da garota da Somália à Irlanda, o filme busca entender as razões por trás desta tradição cultural, que até hoje vitimiza milhões de mulheres africanas.

O filme canadense A Queda do Império Americano (La Chute de L’Empire Americain), que assisti no Festival do Rio do ano passado, também estava na programação do Festival de Edimburgo. É espantoso que as distribuidoras brasileiras ainda não tenham lançado no país este excelente filme do visionário diretor Denys Arcand, que complementa a trilogia iniciada com O Declínio do Império Americano (1986) e As Invasões Bárbaras (2003), ambos tremendos sucessos no Brasil. Arcand volta a tocar em temas espinhosos, como o mal estar civilizatório, os efeitos da globalização e o conformismo/domesticação da sociedade ocidental. Aqui, ele usa o dinheiro como metáfora para denunciar a situação contemporânea e suas implicações éticas. Pierre-Paul Daoust tem 36 anos, é PhD em filosofia e está insatisfeito com seu lugar no mundo. Endividado, ele trabalha como entregador de mercadorias e um dia se depara com duas bolsas cheias de dinheiro roubado. Um grande filme.

Manta Ray (Kraben rahu), da diretora tailandesa Phuttiphong Aroonpheng, é um filme minimalista sobre um pescador abandonado pela mulher, que resgata um refugiado de Myanmar na costa da Tailândia. O refugiado não fala e os dois desenvolvem uma amizade profunda, até que o pescador some no mar e a sua mulher volta, passando a viver com o refugiado. À maneira dos filmes do badalado diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul, Manta Ray se desdobra em cenas oníricas e de conexão com a natureza. Um dos poucos filmes de temática LGBT, senão o único, do Festival de Edimburgo. Foi premiado em vários festivais ao redor do mundo.

Cena do filme tailandês Manta Ray

Um filme curioso do Festival de Edimburgo foi a ficção científica sueca Aniara (de Pella Kagerman e Hugo Lilja), que se passa num futuro distante em que os recursos da Terra se esgotaram e as pessoas são transportadas para Marte em uma espécie de transatlântico espacial gigantesco chamado Aniara. A espaçonave sofre uma avaria e sai da rota. A viagem que era para durar três semanas, acaba durando infinitamente mais e as relações humanas entre as centenas de passageiros se deterioram de maneira dramática. Seis milhões de anos depois, a espaçonave continua vagando pelo espaço sideral em outras galáxias e o filme tem um final surpreendente... 

Dois filmes representaram dignamente a Índia no festival. Chippa (de Safdar Rahman) conta a história de um menino de Calcutá órfão de mãe, que às vésperas de completar 10 anos, recebe uma carta do pai distante, numa língua que ele não entende, e foge da casa da tia para tentar encontrar o pai. No período de uma noite, Chippa encontra várias pessoas no caminho que o ajudam em sua jornada. Apesar da história batida, o filme é contado em tom de fábula e animações que enriquecem a narrativa. Photograph (do diretor Ritesh Batra, o mesmo de The Lunchbox) é um filme passado em Mumbai em que um fotógrafo de rua quarentão tira uma foto de uma jovem de classe média e as vidas deles se entrelaçam quando ela é convidada para se passar como noiva dele perante a avó, que o pressiona a se casar. Para surpresa do fotógrafo, a jovem aceita o convite. Filme de nuances, delicado e contido, e por isto mesmo, cativante. 

Cinema britânico

Visto que o Festival de Edimburgo privilegia produções anglo-saxãs, a seção de filmes britânicos (Best of British) foi bem decepcionante. Assisti a vários filmes medíocres e sem brilho. 

A exceção cabe ao inglês Farming (de Adewale Akinnuoye-Agbaje), que merecidamente ganhou o prêmio de melhor filme e melhor ator do festival. O filme é baseado na história do próprio diretor e se passa na Inglaterra dos anos 60 a 80, quando crianças nigerianas eram entregues pelos pais imigrantes a famílias adotivas brancas inglesas, que mediante uma soma em dinheiro cuidavam dos filhos desses imigrantes. Este programa do governo britânico, chamado farming, desencadeava uma série de situações traumáticas para as crianças, que frequentemente não recebiam o tratamento adequado, sofriam bullying na escola e todo o tipo de discriminação. O filme conta de forma crua o processo de brutalização do jovem Enitam, que vai da ignorância da família adotiva, à negação da sua negritude, aos maus tratos na escola, ao seu envolvimento com gangues violentas, à sua prisão e superação. Um filme que não faz concessões ao espectador e aprofunda nas feridas do protagonista.

Cena do filme britânico Farming

Outro filme inglês excelente e que encerrou o festival é Mrs. Lowry & Son (de Adrian Noble). É baseado na história do pintor britânico L. S. Lowry (1887-1976), que mantinha uma relação de codependência com a mãe possessiva e egoísta. O filme se passa em 1934 nos últimos anos de vida da mãe, em mais uma atuação arrebatadora da atriz Vanessa Redgrave, que contracena com outro grande ator do cinema britânico atual, Timothy Spall, no papel do artista. Muito provavelmente, o filme será distribuído (e bem acolhido) no Brasil. 

Um filme inglês que gostei bastante é Hurt by Paradise, dirigido pela poetisa Greta Bellamacina, que também é roteirista e atriz desta comédia doce-amarga, uma espécie de ode à cidade de Londres, à amizade e à poesia. De cunho totalmente autoral e baixo orçamento, sem comprometer a qualidade, o filme mescla habilmente o universo onírico de uma poetisa, que é mãe solteira com filho pequeno, com a realidade de como viver de seu ofício no dia a dia da cidade grande.

Filmes escoceses sem legenda

A indústria escocesa de cinema é pequena, mas o país investe cada vez mais em filmes, séries e produções audiovisuais. Em 2018, o investimento chegou a quase US$ 200 milhões, segundo o jornal The Scotsman, um valor razoável se considerarmos que a Escócia tem menos de 6 milhões de habitantes. 

Dois filmes escoceses direcionados aos jovens vêm se destacando este ano: Beats (dir. Brian Welsh) ganhou o prêmio do público do Festival de Rotterdam 2019 e a comédia Boyz in the Wood (de Ninian Doff) abriu o Festival de Edimburgo, com cinema cheio e uma plateia bastante entusiasmada. Conta a história de quatro jovens que se perdem nas Highlands escocesas. Anárquico e muito divertido, o filme tem alucinógenos à base de cocô de coelho, agricultores doidos por hip-hop, assassinos à espreita, além do eterno choque de gerações. Outro filme escocês de destaque no festival é Wedding Belles (de Philip John). Feito originalmente para a TV britânica em 2007, o filme finalmente teve sua estreia na tela grande no Festival de Edimburgo deste ano. É uma comédia de humor negro sobre quatro mulheres da classe operária que, no dia do casamento de uma delas, se vingam dos homens que arruinaram suas vidas. O então desconhecido ator Michael Fassbender faz uma ponta no filme numa cena formidável de dança.

O filme Boyz in the Wood abriu o Festival de Edimburgo deste ano

Embora o sotaque típico da Escócia seja um desafio até mesmo para alguns nativos da língua inglesa entender, os filmes escoceses do festival não são legendados. Quando perguntei a um membro da organização a respeito, obtive a seguinte resposta: “Os escoceses se sentiriam ofendidos de assistir a um filme legendado em inglês em sua própria terra e também não cabe ao festival alterar a obra do diretor colocando legendas no filme”. Aqui, um pequeno choque cultural, pois para nós, brasileiros, é comum assistir a filmes portugueses legendados, principalmente em festivais internacionais.

O documentário escocês The Amber Light (de Adam Park) também foi premiado no festival e acompanha a história, cultura e importância do uísque na sociedade escocesa. O escritor Dave Broom, especializado na bebida, guia os espectadores pelas regiões produtoras de malte, destilarias, pequenos produtores, bares e restaurantes da Escócia, fazendo uma interface do uísque com a música tradicional escocesa, num road movie fascinante e de dar água na boca. 

Filmes europeus

Outra seção importante do Festival de Edimburgo é a mostra de filmes europeus (European Perspectives). Meu filme favorito desta seção foi, sem dúvida, o macedônio God Exists, Her Name Is Petrunya (de Teona Strugar Mitevska). Além de ter sido premiado nos festivais de Berlim e Sidney deste ano, recebeu o prêmio de melhor filme do público no Festival de Edimburgo. Acompanhamos com um misto de apreensão e ansiedade a trajetória de Petrunya, jovem de 30 e poucos anos, que não consegue emprego e sofre discriminação por não se enquadrar nos padrões de beleza e peso estabelecidos. Um dia, numa competição destinada aos homens, promovida pela igreja ortodoxa para ver quem pega uma cruz jogada pelo padre no fundo de um rio gélido, Petrunya repentinamente se atira nas águas e pega a cruz, gerando um conflito que irá desafiar os dogmas da polícia, da igreja e da mídia locais. Um filme divertido, inteligente, verdadeiramente feminista, sem ser panfletário ou maniqueísta.

A atriz Zorika Nusheva no filme God Exists, Her Name is Petrunya

Outro filme europeu que mereceu destaque no Festical de Edimburgo foi o irlandês End of Sentence. Curiosamente, este filme é dirigido por um islandês (Elfar Adalsteins) e protagonizado por atores americanos. Mais um road movie em que um pai, que acaba de perder a esposa, busca se reconciliar com o filho recém-saído da prisão viajando juntos pelo interior da Irlanda, para espalhar as cinzas da esposa morta. A história é manjada, o final previsível, mas o filme tem pequenos elementos surpresa que dão um tom diferente à narrativa, ora emocionando, ora divertindo, mas sempre instigando. 

Synonymes, filme francês do israelense Nadav Lapid, ganhou o prêmio Urso de Ouro no Festival de Berlim e também esteve na programação do Festival de Edimburgo. Conta a história de um jovem israelense, que acaba de completar o serviço militar, e desiludido com seu país vai a Paris. Lá, seus poucos pertences são roubados e ele é acolhido por um casal de jovens. O filme virou o queridinho da crítica, mas é permeado por uma narrativa metafórica e um ar filosófico que me alienaram completamente do personagem principal e de suas motivações para romper com Israel, sua família e sua cultura. O filme deverá passar na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em outubro.

O dinamarquês Sons of Denmark, de Ulaa Salim, é um thriller político contundente sobre a ascensão de um partido nacionalista e xenófobo na Dinamarca e a reação radical de jovens árabes, nascidos no país, à eleição do líder do partido como primeiro ministro. Um barril de pólvora que está apenas à espera de uma faísca para explodir na Europa Ocidental. Qualquer semelhança com o avanço da direita e do nacionalismo no Brasil não é mera coincidência. O filme passou no Festival de Roterdã e ganhou o prêmio de público.

O festival trouxe, ainda, dois filmes europeus que abordam a questão da imigração e do choque cultural, meus temas favoritos no cinema. O islandês The Deposit ((Tryggð, da diretora Ásthildur Kjartansdóttir) trata de uma jornalista solitária que vai fazer uma reportagem sobre imigrantes vivendo na Islândia. Sem noção a respeito do problema, a jornalista convida uma queniana com um filho e uma colombiana para morar com ela, desencadeando uma guerra por poder e espaço e levando a um desfecho que deixa um sabor amargo. O filme finlandês Aurora (de Miia Tervo) conta a história de uma finlandesa descolada e semi-alcoólatra que cruza o caminho de um iraniano com uma filha tentando não ser deportado da Finlândia. Apesar das diferenças, acabam se apaixonando. Sim, você já viu este filme antes, a história é recorrente no cinema romântico, mas pelo menos o casal tem uma boa química e o filme se passa em Helsinque e não em Nova York ou Los Angeles! Ganhou o prêmio de melhor filme internacional no Festival de Edimburgo.

Cena do filme islandês The Deposit  

Sonhos americanos

O programa do Festival de Edimburgo contém uma mostra de filmes americanos independentes, a American Dreams. A safra de filmes americanos me surpreendeu. Um dos filmes que mais gostei do festival foi The Vast of Night (de Andrew Patterson), uma ficção científica praticamente sem efeitos especiais e muito bem sacada sobre as aparições de discos voadores no Novo México no final dos anos 50. Com diálogos ágeis e atuações magníficas, um filme empolgante sobre crenças coletivas e a influência da mídia no auge do rádio e nos primórdios da televisão. Tomara que seja logo lançado no Brasil!

Cena do filme The Vast of Night

Dois outros filmes americanos que vi no Festival de Edimburgo, e que também me agradaram, abordam o fanatismo religioso no interior dos Estados Unidos e o seu efeito devastador sobre os jovens. O filme Skin (de Guy Nattiv) já passou pelos festivais de Berlim, Toronto, Tribeca e Sidney e conta a história verídica de um jovem neonazista, com o corpo e o rosto cobertos de tatuagens, filho de pais racistas, que são líderes de uma seita americana que prega a supremacia branca. O jovem se apaixona por uma mulher com três filhos e decide romper com a família e com a seita, sofrendo as consequências. O ator Jamie Bell (que faz Bernie Taupin em Rocketman) dá um show de interpretação. 

Outro filme sobre uma comunidade cristã radical americana é Them That Follow (de Britt Poulton e Dan Madison Savage). O pastor da comunidade cria e cultua serpentes como forma de purgar o mal e provar a fé das pessoas perante a Deus, as mulheres são submissas aos maridos, os fiéis são obrigados a participar dos cultos, não vão ao médico nem tomam remédios e acreditam na cura divina, mesmo em caso de doenças graves. Mas, neste ambiente ultrareligioso e reprimido, eis que a filha do pastor aparece grávida. O filme é impactante e é protagonizado por Olivia Colman, que fez a rainha Ana no premiado A Favorita.

Cena do filme Them That Follow

Muitas mulheres atrás das câmeras ao redor do mundo estão realizando filmes do gênero fantástico. A atriz escocesa Pollyanna McIntosh é famosa entre os fãs do gênero por sua atuação na série The Walking Dead. O primeiro filme dirigido por Pollyanna, Darlin’, parte de uma premissa curiosa: duas garotas ferais rondam uma cidade do interior dos Estados Unidos e uma delas se perde, indo parar num convento católico. Como não podia deixar de ser, o bispo local usa métodos nada ortodoxos para a conversão da besta fera em moça religiosa. Culpa, expiação, abuso sexual, gravidez indesejada, ingestão de cândida e muito sangue fazem parte da jornada da garota. Pena que o filme fique a meio caminho entre o gore (filme sanguinolento) e a crítica à Igreja.

A atriz Lauryn Canny em cena do filme americano Darlin’, de Pollyanna McIntosh

Era uma vez na Espanha

Nem só de Almodóvar vive a Espanha, como ficou evidenciado pela mostra de filmes espanhóis exibida no Festival de Edimburgo. O cinema contemporâneo espanhol tem vários cineastas de peso, que são pouco ou nada conhecidos no Brasil, como os bascos Julio Medem e Álex de la Iglesia, a catalã Isabel Coixet, o madrilenho Davi Trueba, além dos veteranos Carlos Saura, Fernando Trueba e o próprio Almodóvar. 

A também veterana e aclamada cineasta espanhola, Iciar Bollain, foi homenageada no Festival de Edimburgo deste ano com uma mostra de vários de seus filmes, como o contundente Te Doy Mis Ojos (2003), que trata da violência doméstica. Apesar de não ser recente, o filme é surpreendentemente atual no dilema de uma mulher que sofre abuso físico e psicológico do marido ciumento e violento. Infelizmente, nenhum dos 17 filmes de Iciar Bollain foi lançado comercialmente no Brasil. 

Fiquei bem impressionado com dois filmes de jovens diretores espanhóis que assisti no festival. O thriller Tarde Para La Ira (de Raúl Arévalo, 2016) é uma história de vingança cheia de reviravoltas e muito bem construída, que fez muito sucesso na Espanha quando lançado há três anos. Jaulas (de Nicolás Pacheco, 2018) fala de uma mãe e filha tentando escapar da tirania do marido/pai opressor e truculento pelos vilarejos de uma Andaluzia pobre, suja e nada glamorosa. Coincidência ou não, estes três filmes falam da violência contra a mulher, machismo e misoginia, que parecem ser endêmicos em países latinos.

Cena do filme espanhol Jaulas

O Festival Internacional de Cinema de Edimburgo não é badalado, não tem um viés político, traz poucos diretores e atores famosos, não atrai muito público, mas é uma vitrine importante para filmes que não conseguem espaço de exibição nos cinemas. Daí, talvez, sua longevidade.

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