JOKER (com spoilers)

17.10.2019
Por Raquel Foresti*


É cinema, é um bom filme ou talvez não seja tudo isso. Sinceramente, se pensarmos no que o gênero produziu nos últimos anos, prefiro Logan a Joker, mas, pelo hype, vou falar do que se fala de Joker e da minha versão a respeito.

Joker é a distopia do real das sociedades desiguais. O cinema e a violência como orgia é algo bem conhecido nas terras de cá. Como outro vilão - anti-herói? - Killmonger de Pantera Negra, a gente entende bem demais as razões do Joker. No caso, ainda mais: o abandono e falta de assistência é toda a razão que a gente precisa. Por isso, veja que ele nem é o vilão, o monstro mesmo é Gothan City, seus dirigentes, suas elites, as pessoas comuns que pegam a violência pela mão e a transformam em catarse.

Joker pega a cidade pela mão para dançar, Joker é a musa e vítima da cidade. O sangue em seu rastro é também o das próprias feridas. Talvez, por isso, se pense o filme como a exaltação dos assassinos brancos em escolas e cinemas da vida real estadunidense. Não acredito nisso. E me arrisco a dizer que linha tão simplista cai bastante bem ao personagem odioso - e por isso, humano - do pai de Bruce Wayne.

Sejamos sérios e tristes, cuidemos das loucuras e dos abandonos, combatamos a indiferença, taxemos o ricos e façamos Gotham finalmente virar ficção ou continuemos a ser devorados pelos ratos gigantes da cidade.

É isso e muitas outras coisas. Abraços.

*Raquel Foresti é historiadora, professora da rede pública e cinéfila.

Você pode ler outra crítica do filme Coringa no link:
http://www.grupocinemaparadiso.com.br/2019/10/o-filme-coringa-e-o-movimento-occupy.html

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