PRÓXIMO FILME

Reunião em 29.05.2022, às 16 h – reunião virtual (zoom)
 

A Liberdade é Azul (Trois Couleurs: Bleu, França, Polônia, Suíça, 1993, 98 min)

Direção: Krzysztof Kieslowski

Roteiro: Krzysztof Kieslowski, Agnieszka Holland, Edward Zebrowski, Krzysztof Piesiewicz e Slawomir Idziak.


Elenco: Juliette Binoche, Emmanuelle Riva, Helène Vincent, Florence Pernel, Isabelle Sadoyan, Zbigniew Zamachowski, Charlotte Véry, Benoit Régent, entre outros.
 

Sinopse: No caso de desse filme, sugiro acolhimento, à experiência do filme que vem ao nosso encontro, sentir profundamente seu sabor.
O filme é o primeiro da “Trilogia das Cores” como ficou conhecido no Brasil, relativo as cores da bandeira francesa, em francês, Trois Coleurs: Bleu, traduzido por “A Liberdade é Azul”. Provavelmente o mais aclamado filme do diretor, com a ótima participação de Juliette Binoche, a bela fotografia e a tocante trilha sonora de Z. Preisner.
A personagem vivida por Binoche, após perder o marido e a filha, o que, naturalmente, a deixou deprimida, não tem vínculo com familiares próximos e nem vida profissional. Mas está amparada financeiramente, o que a deixa “livre” para nadar muitas horas por dia e apenas “ser/viver”. Assim após a morte de seus amados mais próximos Julie (Binoche), dispõe de “Liberdade”, no sentido de várias possibilidades de escolhas, sem as amarras de atividades de trabalho ou compromisso (promessa com o outro) que tinha antes, como mãe e esposa.
Julie irá se recompor depois dessa tragédia? Em um filme de um diretor/roteirista polonês que geralmente não se preocupa em nos aliviar das dores em os filmes...
Cláudio Bacellart Cazão
 

Sobre o diretor:

Krzysztof Kieslowski nasceu em Varsóvia, capital da Polônia, em 27 de junho de 1941. Na época, o país estava ocupado pelos alemães nazistas. Seu pai era engenheiro e sofria de tuberculose. A família se mudou para diversas cidades pequenas, onde houvesse um tratamento para esse mal. Kieslowski cresceu segundo preceitos da igreja católica. Em 1957, aos 16 anos, entrou para a escola de treinamento de bombeiros, mas desistiu após três meses. Indeciso sobre qual carreia seguir, ingressou na Faculdade Técnica de Teatro, apenas porque era dirigida por um parente. Quis ser diretor de teatro, mas sem formação prévia, não pôde continuar os estudos. Resolveu estudar Cinema como um curso intermediário. Conseguiu um trabalho como figurinista em um teatro, enquanto tentava ingressar na Escola de Cinema de Lodz. Foi rejeitado duas vezes e só aceito na terceira tentativa, em 1964. Durante esse período, Kieslowski estudou Artes e realizou uma dieta drástica para evitar a convocação obrigatória para o exército. Como estudante de cinema, Kieslowski realizou alguns curtas documentários. Ao terminar a escola, em 1968, decidiu ser documentarista, perdendo completamente o interesse pelo teatro. Sem dispor de muitos recursos, ele filmou o cotidiano de pessoas comuns na cidade. Mesmo sem intenções políticas, constatou que retratar a vida de trabalhadores sob o regime comunista era passível de censura pelo governo. É o caso de Robotnicy ‘71: Nic o nas bez nas (1971), que mostra trabalhadores de um estaleiro discutindo uma greve ocorrida em 1970. Até hoje, esse filme é exibido em versão censurada. Durante a década de 1970, Kieslowski continuou a dirigir documentários. Realizou seus primeiros filmes de ficção, Personel (1975) e A Cicatriz (1976). Apesar de ambos serem ficções, Kieslowski lança mão de atores não profissionais e estética do realismo social. O diretor notou que, com a ficção, tem mais liberdade artística, sofre menos interferências e, ironicamente, pode retratar a vida de forma mais verdadeira. Seu próximo filme de ficção, Amador (1979) ganhou o grande prêmio no Festival de Moscou. Nesse período, Kieslowski fez parte de um movimento que incluía outros diretores poloneses como Janusz Kijowski, Andrzej Wajda e Agnieszka Holland, denominado “cinema de angústia moral”. Esse grupo de cineastas foi observado de perto pelo governo. Os próximos filmes de Kieslowski, Sorte Cega e Sem Fim foram filmados em 1981 e 1982 respectivamente, mas só foram liberados para exibição em 1987 e 1985. Sem Fim é considerado o filme mais político de Kieslowski, mostrando um julgamento no período da Lei Marcial na Polônia. A partir de Sem Fim, Kieslowski passou a contar com colaboração de dois profissionais importantes: o compositor Zbigniew Preisner e o advogado Krzysztof Piesiewicz, que foi co-roteirista com o diretor em todos os filmes seguintes.
A série Decálogo (1988), feita para TV em co-produção com Alemanha Ocidental, é composta de 10 episódios de 1 hora cada, cada um abordando um dos Dez Mandamentos da Bíblia. Os episódios 5 e 6, Não Matarás e Não Amarás, foram estendidos e lançados comercialmente nos cinemas, fizeram sucesso internacional e tornou Kieslowski conhecido. A série ou os dois longas individualmente receberam diversos prêmios pelo mundo, entre eles, prêmio FIPRESCI no Festival de Veneza, e o Prêmio do Juri no Festival de Cannes. Os filmes seguintes foram os de maior sucesso comercial, todos co-produções com a França, o que facilitou a circulação das obras por festivais pelo mundo. A Dupla Vida de Veronique (1991), recebeu os prêmios Ecumênico e FIPRESCI em Cannes, além de Melhor Atriz para Irène Jacob, que interpreta duas personagens – iguais mas diferentes. O último trabalho de Kieslowski foi denominada A Trilogia das Cores: A Liberdade é Azul (1993), A Igualdade é Branca (1994) e A Fraternidade é Vermelha (1994). Entre outras premiações, Azul ganhou sete prêmios em Veneza, incluindo o Leão de Ouro de Melhor Filme e Melhor Atriz para Juliette Binoche; Branca ganhou Urso de Prata de Melhor Diretor no Festival de Berlim; Vermelha recebeu indicações ao Oscar de Direção, Roteiro Original e Fotografia.
Krzysztof Kieslowski faleceu em 13 de março de 1996, aos 54 anos, após uma parada cardíaca. Ele estava trabalhando em uma nova trilogia com seu colaborador Krzysztof Piesiewicz. Os roteiros estavam praticamente finalizados. As três partes foram filmados postumamente, cada uma por um diretor de nacionalidade diferente: Paraíso (2002), dirigido pelo alemão Tom Tykwer; Inferno (2005), pelo iugoslavo Danis Tanovic, e Purgatório (2007) pelo polonês Stanislaw Mucha.
Em 2007, o 12º É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários realizou uma grande retrospectiva com 17 documentários dirigidos por Krzysztof Kieslowski.