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Reunião em 18.11.2018 às 16h

My Name is Now, Elza Soares (Brasil, 2014, 73 minutos)

Direção: Elizabete Martins Campos

 

Elenco: Elza Soares

 

Sinopse: O Grupo Cinema Paradiso escolheu, como pauta de seu próximo encontro, um documentário ousado, nada convencional, sobre a artista Elza Soares. Além do formato experimental, totalmente relacionado à criatividade e ousadia da artista retratada, há uma novidade que é a narração em libras, com espaço significativo, no canto inferior da tela, feita pela ótima Marina Santos, moça talentosa não apenas na sua expressão da linguagem para surdos, mas também em sua ginga, o que enriquece o documentário. Além da acessibilidade para surdos, o filme foi lançado também com audiodescrição. Se quiser saber mais sobre a realização do filme, você pode acessar: http://itcanal.com.br/mynameisnow/

 

Ao invés da sinopse que tradicionalmente colocamos aqui, escolhemos inserir parte de um artigo do crítico Luiz Zanin Oricchio, publicado no jornal “O Estado de São Paulo”, em 01/11/2018.


Em My Name is Now – Elza Soares, a diretora mineira Elizabete Martins tem o desafio de mostrar ao público alguém que dispensa apresentações. Elza, a grande cantora, sambista, companheira de Mané Garrincha, musa de tantas gerações. Elza, que atravessou tragédias e soube, como poucas, se reinventar e reencontrar a alegria, do outro lado do rio.


Essa é a Elza que aparece no filme, num estudo de rosto, sofrido, marcante, marcado, porém tão expressivo. Elza que, apresentando-se no programa de Ary Barroso, e indagada pelo ácido apresentador de onde viera, respondeu, de bate-pronto: “Venho do país da fome”.


Essa mulher, que conheceu tantas vitórias e derrotas, é associada ao mito do Fênix, ave que renasce das próprias cinzas. Essa referência mítica dá o tom a um filme que prefere a linguagem alegórica à realista. Evita assim o que seria uma redundância na caracterização da personagem pública que Elza, desde o início da carreira, nunca deixou de ser.


A cantora magnífica, que usava o gogó e empunhava o microfone com a ginga que o morro lhe deu, não cessou de mudar e se refazer. Poderia ter ficado na, como hoje se diz, zona de conforto, mas inovou na vida, no repertório e no público, hoje dirigindo-se à nova geração e tornando-se musa da vanguarda.


Elza também que é dona de uma pegada jazzística e foi comparada, por Louis Armstrong, a outra diva, Billie Holiday. Vê-la e ouvi-la, dominando a arte do scat singing dos grandes mestres negros norte-americanos, é um prazer incomparável.


O filme passa por tudo isso, e, com a câmera colocada rente ao rosto da artista, em super close, conta o que ela mesma tem a dizer sobre si. Como essas palavras duras: “Aprendi a cantar carregando lata d’água na cabeça, subindo o morro”.


Elza Soares é mais do que uma cantora, mais ainda que uma artista no completo domínio de sua arte. É expressão de um Brasil que podia ser pobre, miserável mesmo, mas era um país talentoso. Bem diferente da vulgaridade atual.

Sobre a diretora: Elizabete Martins Campos nasceu em Conselheiro Pena/MG e mudou-se para Betim/MG aos 4 anos de idade. Formou-se em jornalismo pela Uni-BH e aprimorou-se em cinema na UFMG. Trabalhou como repórter do programa “Agenda”, da Rede Minas, quando entrevistou Elza Soares e decidiu realizar um filme sobre ela. Foi correalizadora da Mostra Udigrudi Mundial de Animação, em Betim. Sua estreia como diretora aconteceu com o média metragem Feira Hippie, com direção de Elizabete e Érica Lima. Também dirigiu o curta metragem Que Coso, produzido por sua produtora de vídeo It Canal, situada em Betim. My Name is Now, Elza Soares é seu primeira longa metragem.