PRÓXIMO FILME

A Sombra do Meu Pai
Reunião em 17.05.2026 às 16h
O filme está em cartaz em várias salas de cinema de São Paulo.
 

A Sombra do Meu Pai (My Father’s Shadow, Nigéria / Reino Unido, 2025, 94 min)

Direção:
Akinola Davies Jr.

Roteiro: Akinola Davies e Wale Davies

Elenco: Sope Dirisu, Godwin Egbo, Chibuike Marvelous Egbo


Sinopse: Um dia na metrópole nigeriana de Lagos, durante a crise eleitoral de 1993. A história acompanha um pai, afastado dos dois filhos pequenos, durante uma jornada por essa enorme cidade enquanto a agitação política ameaça sua volta para casa.


O primeiro longa-metragem de Akinola Davies Jr., que recebeu a menção honrosa do júri da Caméra d’Or no Festival de Cannes, tem uma relação direta com a vida do cineasta. “Acho que, no começo, eu teria dito que há uma grande diferença entre uma coisa e outra, mas quanto mais eu vejo o filme e converso com meu irmão, mais difícil fica saber o que é ficção e o que não é”, declara Davies em entrevista a Bruno Carmelo para o portal Meio Amargo. “O fato é que a gente perdeu nosso pai quando éramos bem novos. Meu pai morreu quando eu tinha 1 ano e oito meses, e meu irmão devia ter uns 3 anos. Mas o filme se passa em 12 de junho de 1993, e, nessa época, no filme, os meninos têm 8 e 12 anos. Então as coisas começam a se misturar. Muitas das histórias vêm de coisas que nos contaram sobre o nosso pai – o que nossa mãe dizia, o que outras pessoas diziam –, e como essas histórias mudaram com o tempo.
Os eventos históricos são baseados no que realmente aconteceu naquele dia. Bonny Camp é um lugar real. Os massacres aconteceram em momentos diferentes, mas a gente juntou tudo para colocar no filme. Então o personagem paterno é uma versão ficcional do nosso pai, mas decorre das histórias que escutamos sobre ele. É bem difícil separar o que é ficção e o que não é. Acho que a diferença mais óbvia é que, por exemplo, no filme, a gente muda a idade dos personagens, e também, no filme, a família é de classe trabalhadora, enquanto a nossa era de classe média.”

“Bonny Camp sempre foi um lugar onde pessoas ‘problemáticas’ sumiam. Era uma base policial, e depois virou uma base militar. Uma das razões pelas quais o governo militar mudou a capital de Lagos para Abuja foi justamente porque, quando havia protestos, as pessoas iam para Bonny Camp. Fela Kuti, por exemplo – um dos nossos músicos mais famosos – levou o caixão da mãe dele até Bonny Camp para entregar aos militares, depois que ela foi jogada do telhado e morreu. Então Bonny Camp virou um símbolo no imaginário nigeriano, um lugar onde militares e policiais faziam opositores desaparecerem. Como a gente queria contar essa história para jovens nigerianos – e também para quem não conhece a história da Nigéria –, quisemos homenagear esses lugares, onde pessoas lutaram contra o autoritarismo e perderam a vida.”
Na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, A sombra do meu pai recebeu o Prêmios da Crítica de Melhor Filme Internacional e o Prêmio Brada de Melhor Direção de Arte.
Fonte: site do Instituto Moreira Salles

Sobre o diretor: Akinola Davies Jr nasceu em abril de 1985, em Londres/Inglaterra, mas em sua infância circulou muito entre Londres, Lagos (Nigéria) e EUA. É cineasta, escritor e videoartista multidisciplinar. Começou sua carreira como assistente de fotógrafos e cineastas antes de concluir um workshop na New York Film Academy em 2009. Realizou vários clipes, curtas metragens e séries para TV. Seu primeiro longa metragem é A Sombra do Meu Pai.

 


 

Seu trabalho está situado entre a África Ocidental e o Reino Unido, pois ele se identifica como um membro da diáspora global que está situado à margem de fazer parte dos dois mundos. Akinola tenta lidar delicadamente com a colisão da tradição colonial e imperial enquanto defende um retorno às narrativas indígenas. Ele explora temas de comunidade, raça, espiritualidade, identidade e gênero, contando as histórias que preenchem a lacuna entre as comunidades tradicionais e milenares. Esses temas vêm com uma dualidade: a da necessidade e da urgência em relação ao meio de contar histórias. Há uma grande ênfase na necessidade de uma intenção clara nos conceitos e na vontade de experimentar com a forma: a preparação e a pesquisa meticulosa de seus filmes assumem um papel central e são essenciais para a fabricação de suas imagens. Ele se baseia em aspectos da memória coletiva e individual e da experiência vivida.
Fonte: IMDb

Veja na íntegra a entrevista com Akinola Davies Jr para o site meio amargo:
https://meioamargo.com/entrevista-akinola-davies-jr-a-sombra-do-meu-pai/