A Sombra do Meu Pai (My Father’s
Shadow, Nigéria / Reino Unido, 2025, 94 min)
Direção: Akinola Davies Jr.
Roteiro: Akinola Davies e Wale Davies
Elenco: Sope Dirisu, Godwin Egbo, Chibuike Marvelous Egbo
Sinopse:
Um dia na metrópole nigeriana de Lagos, durante a crise eleitoral de 1993. A
história acompanha um pai, afastado dos dois filhos pequenos, durante uma
jornada por essa enorme cidade enquanto a agitação política ameaça sua volta
para casa.
O primeiro longa-metragem de Akinola Davies Jr., que recebeu a menção honrosa do
júri da Caméra d’Or no Festival de Cannes, tem uma relação direta com a vida do
cineasta. “Acho que, no começo, eu teria dito que há uma grande diferença entre
uma coisa e outra, mas quanto mais eu vejo o filme e converso com meu irmão,
mais difícil fica saber o que é ficção e o que não é”, declara Davies em
entrevista a Bruno Carmelo para o portal Meio Amargo. “O fato é que a gente
perdeu nosso pai quando éramos bem novos. Meu pai morreu quando eu tinha 1 ano e
oito meses, e meu irmão devia ter uns 3 anos. Mas o filme se passa em 12 de
junho de 1993, e, nessa época, no filme, os meninos têm 8 e 12 anos. Então as
coisas começam a se misturar. Muitas das histórias vêm de coisas que nos
contaram sobre o nosso pai – o que nossa mãe dizia, o que outras pessoas diziam
–, e como essas histórias mudaram com o tempo.
Os eventos históricos são baseados no que realmente aconteceu naquele dia. Bonny
Camp é um lugar real. Os massacres aconteceram em momentos diferentes, mas a
gente juntou tudo para colocar no filme. Então o personagem paterno é uma versão
ficcional do nosso pai, mas decorre das histórias que escutamos sobre ele. É bem
difícil separar o que é ficção e o que não é. Acho que a diferença mais óbvia é
que, por exemplo, no filme, a gente muda a idade dos personagens, e também, no
filme, a família é de classe trabalhadora, enquanto a nossa era de classe
média.”
“Bonny Camp sempre foi um lugar onde pessoas ‘problemáticas’ sumiam. Era uma
base policial, e depois virou uma base militar. Uma das razões pelas quais o
governo militar mudou a capital de Lagos para Abuja foi justamente porque,
quando havia protestos, as pessoas iam para Bonny Camp. Fela Kuti, por exemplo –
um dos nossos músicos mais famosos – levou o caixão da mãe dele até Bonny Camp
para entregar aos militares, depois que ela foi jogada do telhado e morreu.
Então Bonny Camp virou um símbolo no imaginário nigeriano, um lugar onde
militares e policiais faziam opositores desaparecerem. Como a gente queria
contar essa história para jovens nigerianos – e também para quem não conhece a
história da Nigéria –, quisemos homenagear esses lugares, onde pessoas lutaram
contra o autoritarismo e perderam a vida.”
Na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, A sombra do meu pai recebeu
o Prêmios da Crítica de Melhor Filme Internacional e o Prêmio Brada de Melhor
Direção de Arte.
Fonte: site do Instituto Moreira Salles
Sobre o diretor: Akinola Davies Jr nasceu em abril de 1985, em
Londres/Inglaterra, mas em sua infância circulou muito entre Londres, Lagos
(Nigéria) e EUA. É cineasta, escritor e videoartista multidisciplinar. Começou
sua carreira como assistente de fotógrafos e cineastas antes de concluir um
workshop na New York Film Academy em 2009. Realizou vários clipes, curtas
metragens e séries para TV. Seu primeiro longa metragem é A Sombra do Meu
Pai.

Seu trabalho
está situado entre a África Ocidental e o Reino Unido, pois ele se identifica
como um membro da diáspora global que está situado à margem de fazer parte dos
dois mundos. Akinola tenta lidar delicadamente com a colisão da tradição
colonial e imperial enquanto defende um retorno às narrativas indígenas. Ele
explora temas de comunidade, raça, espiritualidade, identidade e gênero,
contando as histórias que preenchem a lacuna entre as comunidades tradicionais e
milenares. Esses temas vêm com uma dualidade: a da necessidade e da urgência em
relação ao meio de contar histórias. Há uma grande ênfase na necessidade de uma
intenção clara nos conceitos e na vontade de experimentar com a forma: a
preparação e a pesquisa meticulosa de seus filmes assumem um papel central e são
essenciais para a fabricação de suas imagens. Ele se baseia em aspectos da
memória coletiva e individual e da experiência vivida.
Fonte: IMDb
Veja na íntegra a entrevista com Akinola Davies Jr para o site meio amargo:
https://meioamargo.com/entrevista-akinola-davies-jr-a-sombra-do-meu-pai/