41ª Mostra Internacional de São Paulo
Filme: Um Cinema Concreto

18.10.2017
Por H. Hirao

Cinema Concreto
Un Cine en Concreto

Direção: Luz Ruciello
Argentina, 2017, 77 minutos

Que a Argentina produz bons filmes e que os argentinos gostam muito de cinema não é novidade. A diretora Luz Ruciello mostra um verdadeiro apaixonado pela sétima arte: o senhor Omar, um homem de aparência frágil, magro, de voz tranquila, pedreiro e dono de uma sapataria com sua esposa, Teresa. Eles moram em uma pequena cidade do interior, parecida com qualquer outra pequena cidade do interior. Quando era pequeno, Omar frequentava o Cine Mitre, um cinema como qualquer outro cinema de qualquer pequena cidade do interior. O Mitre acabou fechando. Inconformado, Omar resolveu construir o seu próprio cinema. Sozinho, com as próprias mãos, tijolo por tijolo, durante quase quatro anos, ergueu uma sala de exibição sobre a sua casa. Ao longo desse tempo, foi adquirindo as cadeiras (do Cine Mitre), um antigo projetor de película Gaumont 1928, que reformou, e ele mesmo construiu as caixas de som. De forma quixotesca, Omar também faz a propaganda dos filmes que exibirá, distribui ingressos entre os vizinhos, especialmente para as crianças.


O documentário é tão apaixonante e emocionante quanto seu protagonista. Em tempos de redes sociais virtuais, de acesso de conteúdos on-line, que isolam as pessoas, é louvável o trabalho de gente como Omar, que estimula o encontro, a diversão coletiva. Para isso, a atenção com as crianças é primordial. Curiosamente, em certos momentos, o filme deixa planos que revelam a produção por trás da câmera: alguém suja o rosto de Omar; ouvimos a diretora que dá instruções fora do quadro; uma claquete que bate. É uma forma metalinguística de dizer que, se Omar fez um cinema, a equipe de Luz Ruciello também está fazendo cinema.

Omar me fez lembrar de duas pessoas simples, de pouca instrução, que também amam o cinema. O projecionista Jailton trabalhava em um cinema na região da Av. Paulista. Por vários anos, ele mandou parte do seu salário para sua família, em uma pequena cidade do interior de Alagoas, para que construíssem um cinema. Mandou móveis e equipamentos, sucatas do cinema onde trabalhava. Inclusive, um projetor de película 35 mm, quando o cinema passou para a era da projeção digital. Faz uns dois anos que Jailton voltou para sua cidade e perdi contato com ele. Tomara que seu cinema particular esteja fazendo sucesso. Outro apaixonado por cinema é o seu Adelson, que era porteiro de cinema. Ele tinha um projetor 16 mm e exibia filmes e desenhos animados na garagem de sua casa, para as crianças do bairro, na periferia de São Paulo. São pessoas que foram arrebatadas pela magia do cinema e buscam compartilhar essa paixão. A vida do Jailton e do seu Adelson também daria um filme.

Agora, uma curiosidade especialmente para o Grupo: sabem como chama o cinema do sr. Omar? Vejam a foto abaixo.

► Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca, sala 6, dia 19/10/17 (quinta), às 19h30 (Sessão 73)
► Cinesesc, dia 21/10/17 (sábado), às 15h00 (Sessão 204)
► Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca, sala 5, dia 22/10/17 (domingo), às 22h00 (Sessão 337)


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Um comentário:

  1. Depois do teu comentário Hirao fiquei curiosa, vou atrás!
    Silvia

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