41ª Mostra Internacional de São Paulo
Filme: Scary Mother

18.10.2017
Por H. Hirao

Scary Mother
Sashisi Deda

Direção: Ana Urushadze
Geórgia / Estônia, 2017, 107 minutos

Manana’s gone bananas!, diria a família de Manana, se fosse americana. Manana é uma dona de casa que, aos 50 anos, resolveu escrever o livro que protelou por toda a vida. Agora que os filhos já estão crescidos e não demandam tanto a sua atenção, ela passou alguns meses enfurnada em seu quartinho, escrevendo o livro que está quase concluído. A família, compreensiva (talvez mais resignada), deixou-a em paz durante esse tempo. Ela só mostrou o manuscrito para seu amigo Nukri, dono de uma papelaria. Manana pede a seu velho e doente pai para traduzi-lo, sem revelar que ela é a autora do texto. 

Próximo de terminar o livro, Manana sofre de uma angústia profunda. A princípio, parece ser insegurança, normal para escritores de primeira viagem. Nukri diz que é uma obra-prima da literatura húngara. O pai também concorda e acrescenta que é um drama pesado demais. Afinal, o que há no livro de Manana? Que história ela escreveu? Como a família reagirá? O que Nukri entende de literatura? Será que o livro é bom mesmo ou o seu julgamento está enevoado por sentimentos dissimulados em relação a Manana? A pressão é sufocante. 

Depois do filme, o público decide: Manana enlouqueceu ou está mais lúcida do que nunca? 

O filme vai lembrar o premiadíssimo O Cidadão Ilustre (2016), de Gastón Duprat e Mariano Cohn, que também tem como protagonista um escritor já consagrado, cujo primeiro romance narrava fatos de sua cidade natal, o que desagradou seus habitantes. É comum que artistas retratem em suas obras, principalmente no começa da carreira, elementos de sua infância, sua família e amigos, sua experiência de vida. É óbvio, não? O escritor e roteirista Dalton Trumbo fez isso no primeiro romance, “Eclipse” (e nunca foi perdoado pela comunidade de Grand Junction). O cineasta Woody Allen faz isso em vários filmes, mostrando sua infância e juventude de forma irônica. O pintor Cândido Portinari pintou brincadeiras de sua infância, nem sempre luminosa e alegre. 

Esse é o primeiro filme da diretora Ana Urushadze que assina também o roteiro. O filme já foi premiado nos festivais de Locarno e de Sarajevo e é o candidato oficial da Geórgia para o Oscar de Filme estrangeiro. 

► Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca, sala 2, dia 19/10/17 (quinta), às 17h15 (Sessão 51) 
► Playarte Splendor Paulista, dia 21/10/17 (sábado), às 14h00 (Sessão 264) 
► Espaço Itaú de Cinema Augusta, sala 1, dia 24/10/17 (terça), às 17h00 (Sessão 476) 
► Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca, sala 1, dia 27/10/17 (sexta), às 19h00 (Sessão 829) 
► Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca, sala 6, dia 29/10/17 (domingo), às 17h10 (Sessão 1085)


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