41ª Mostra Internacional de São Paulo
Filme: Vênus

23.10.2017
Por H. Hirao

Vênus
Venus – Naked Female Confessions
Lea Glob e Mette Carla Albrechtsen
Dinamarca / Noruega, 2017, 83’

Uma das coisas que costumo fazer durante a Mostra é entrar na sessão de algum filme sem saber absolutamente nada sobre ele. Não esperar nada de um filme é uma ótima forma de fazer uma avaliação totalmente imparcial, livre de opiniões pré-concebidas. Às vezes, a experiência pode ser boa, às vezes, não. Assisti a Vênus seguindo o critério: das duas salas do Cinearte, escolhi a que tinha menos gente. 

As diretoras Lea Glob e Mette Carla Albrechtsen publicaram anúncios convocando mulheres para participarem de um filme erótico, baseado nas experiências vividas por elas. Imagino que o objetivo era de produzir um filme na linha soft porn, como as séries Red Shoe Diaries, da revista Playboy, ou Letters to Penthouse, da concorrente Penthouse, supostamente baseadas em relatos de leitores e leitoras. Mais de 100 mulheres, entre 18 e 30 anos, responderam ao anúncio. No entanto, as audições delas se tornaram mais interessantes que a produção do tal filme erótico. O resultado é um documentário sobre a sexualidade feminina, particularmente das dinamarquesas, mas que pode abranger todas as mulheres. No corte final, aparecem aproximadamente 10 delas. 

O estilo da entrevista lembra bastante o de Eduardo Coutinho: câmera fixa enquadrando o rosto das pessoas, a entrevistadora faz perguntas fora de quadro. O cenário é neutro, as entrevistadas entram por uma porta e sentam em uma cadeira em frente a um anteparo. A primeira pergunta é se elas ficariam nuas em frente à câmera, afinal, o anúncio cita claramente a realização de um filme erótico. Essa pergunta é um teste, como vamos descobrir mais adiante. As candidatas falam sobre diversos assuntos ligados à sexualidade: as fantasias, os medos, a insegurança, a vergonha do corpo, a primeira vez, o orgasmo, os relacionamentos, a influência da religião, o ciúme, a traição etc. Alguns depoimentos são fortes, corajosos, confessionais. 

Curiosamente, durante a sessão, percebi que muitas pessoas saíram da sala. Muitas mesmo. 

Finalmente, nos últimos cinco minutos do filme, as diretoras pedem para as mulheres tirarem a roupa. Nesse momento, depois que elas já se despiram emocionalmente e psicologicamente, a nudez física já não é tão importante. Afinal, estamos todos nus debaixo das roupas, não é mesmo? 

Agora, pesquisando sobre o filme, olhei o catálogo da Mostra e vi a razão para tantas pessoas terem saído da sala no meio da sessão: na página do filme, há uma foto de uma mulher nua na cama, além do texto sobre a “busca de mulheres para participar de um filme erótico”. Provavelmente, o público (que não leu a sinopse até o fim) estava esperando ver nudez e cenas de sexo. Será um caso de propaganda enganosa? Como eu disse, assisti ao filme sem nenhuma informação e pude apreciá-lo positivamente. Talvez, se tivesse visto o catálogo antes, tivesse ficado frustrado ou me sentido enganado. 

Alguém reconheceu o nome de uma das diretoras? Lea Glob é co-diretora, com a brasileira Petra Costa, do documentário Olmo e a Gaivota. Lembram? 

► Cinearte, sala 2, dia 20/10/17 (sexta), às 21h30 (Sessão 105) 
► Espaço Itaú de Cinema Augusta, sala 1, dia 25/10/17 (quarta), às 16h00 (Sessão 581) 
► Circuito Spcine CCSP, sala Paulo Emilio, dia 01/11/17 (quarta), às 15h00 (Sessão 1329)

Acima: o único cenário que aparece no filme. Abaixo: a foto do catálogo.


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